AGOSTINHO E TOMÁS DE AQUINO – LIVRE-ARBÍTRIO

Um dos principais assuntos de interesse do filósofo Agostinho era a questão do mal. Isso porque, para o filósofo cristão, se Deus é benevolente e todo-poderoso, por que existe o mal no mundo? Esse é um problema central para os filósofos que tinham por base alguma religião, pois transformava o fato de que no mundo existe o mal em argumento contra a existência de Deus.

Para começar, Agostinho nos diz que, apesar de Deus ter sido o criador de tudo o que existe, ainda assim Deus não criou o mal, pois o mal não é algo, mas a falta ou a deficiência de algo, por exemplo, o mal em um ladrão é a falta de honestidade. Porém, Agostinho ainda precisava explicar por que Deus teria criado o mundo de tal maneira a permitir que existisse o mal. Para explicar isso, Agostinho argumentou que Deus criou os seres humanos como seres racionais, e para que sejam racionais, os humanos devem ter livre-arbítrio, que significa que os seres humanos devem ser capazes de escolher entre o bem e o mal, e que, portanto, os humanos podem agir bem ou mal, afinal, a racionalidade é a capacidade de avaliar as escolhas através do processo do raciocínio, e esse processo só é possível caso exista a liberdade de escolha, incluindo a liberdade de se escolher o errado, portanto, são as escolhas morais que permitem a possibilidade do mal. Por isso, Agostinho conclui que Deus não é a origem do mal, pois o mal se origina através da livre escolha do ser humano.

Na outra ponta da idade média, temos Tomás de Aquino, que vai apresentar a ideia de que a liberdade de escolha implica duas dimensões, uma dimensão negativa e uma dimensão positiva, lembrando que, para Tomás, a liberdade é característica essencial dos seres racionais, ou seja, a liberdade é característica essencial dos seres humanos.

Como dimensão negativa, podemos dizer que o livre arbítrio indica aqui uma ausência de constrangimento externo. É a “liberdade de” coações externas, de ameaças externas, de violência. Ou seja, aqui se trata da liberdade de poder fazer o que quiser desde que você não seja impedido por fatores externos, como, por exemplo, o ditado que diz que a minha liberdade termina quando a do outro começa. Nesse caso então, o livre arbítrio negativo nos diz que podemos fazer tudo o que não nos é impedido por alguma lei externa, sejam as leis da nossa sociedade, da nossa família ou da nossa cultura.

A dimensão positiva do livre arbítrio, segundo o filósofo Tomás de Aquino, apresenta a ideia de que o ser humano é livre para fazer isso ou aquilo, para atuar ou não, ou seja, o livre arbítrio positivo indica a diversidade de escolhas possíveis que se apresentam antes da realização de cada ato humano. Por isso, podemos dizer que, nesse sentido, a liberdade de escolha indica a “liberdade para” se realizar algo, ou, em outras palavras, trata-se da capacidade de autorrealização que o ser humano tem nos seus atos, ou seja, na dimensão positiva os seus atos influencia apenas a sua própria vida, sem interferir na vida das outras pessoas, por exemplo, a escolha que você faz acerca de qual curso da faculdade você quer prestar é uma escolha livre sua, pois essa decisão cabe apenas a você e vai influenciar somente a sua vida.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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