AGOSTINHO – TEORIA DA ILUMINAÇÃO

A Patrística foi uma escola filosófica que se desenvolveu no início da Idade Média. A “Patrística” possui esse nome pois diz respeito aos primeiros padres da Igreja Católica, que desenvolveram uma filosofia baseada no pensamento religioso cristão, filosofia medieval esta que se torna fundamentada pela filosofia grega, principalmente pelos pensamentos dos filósofos Platão e Aristóteles. Por isso, a filosofia da idade média resultou do esforço para conciliar o cristianismo com o pensamento dos gregos, criando então as chamadas Obras apologéticas, que são as obras que tinham o objetivo de justificar de modo racional a fé cristã. Portanto, boa parte do que foi produzido durante a idade média, na questão da teoria do conhecimento, tinha como foco o cristianismo, e a relação entre razão e fé era o pilar das reflexões medievais sobre o conhecimento.

Para o filósofo Agostinho de Hipona, que é um dos principais filósofos da Patrística e a base do pensamento do período patrístico medieval, a Fé e a razão são elementos indispensáveis e interdependentes na busca do conhecimento, que equivale à busca da felicidade e da santidade, pois a santidade só seria alcançada se se unisse o processo racional com a intuição e a fé, pois, segundo o filósofo, a razão complementa a fé, no sentido de provar a correção da fé.

É nesse sentido que Agostinho apresenta uma de suas frases mais conhecidas, a saber, “é necessário crer para entender e entender para crer”, pois a razão está relacionada profundamente com a fé. Para desenvolver a sua teoria filosófica, Agostinho recebe certa influência da filosofia de Platão, principalmente por meio do comentador Plotino, que é neoplatônico, por exemplo, a questão da dualidade do ser humano, em corpo e alma, que nós podemos ver presente na filosofia de Platão, é bem percebida na filosofia de Agostinho, bem como nas principais ideias do cristianismo. Outra influência de Platão na filosofia de Agostinho pode ser percebida na questão da diferença entre o conhecimento que nós obtemos pelos sentidos, que é inferior, lembrando o mundo sensível segundo Platão, e o conhecimento eterno e imutável, que é superior, chamado por Agostinho de ideias divinas e que é algo que lembra o mundo inteligível de Platão. Por isso que, pra Agostinho, temos um conhecimento limitado por meio dos sentidos e um conhecimento mais abrangente, na qual desenvolvemos o verdadeiro conhecimento.

Agostinho desenvolve também a chamada Teoria da iluminação, que é uma versão cristianizada a respeito da teoria da reminiscência de Platão, que nós já estudamos aqui. A teoria da iluminação, proposta por Agostinho, nos mostra que Deus, ao criar o ser humano, o faz como participante do Ser Eterno, e que então Deus, que é a verdade suprema, ilumina o ser humano, fazendo com que o ser humano seja iluminado pela verdade, ou seja, a iluminação divina permite que o ser humano capte as verdades eternas presentes na mente divina. O verdadeiro conhecimento é a luz eterna que procede de Deus e atua em nosso espírito. A diferença entre Agostinho e Platão está na questão de que o filósofo grego acredita que o conhecimento da verdade vem de uma lembrança do que a nossa alma contemplou no passado lá no mundo das ideias, enquanto que o filósofo Agostinho apresenta a teoria de que o conhecimento verdadeiro provém da luz eterna que emana de Deus e atua em nossa alma, tornando possível o pensar correto, assim como é a representação do Sol presente na alegoria da caverna de Platão.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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