ALEGORIA DA CAVERNA OU MITO DA CAVERNA – PLATÃO

A alegoria da caverna, história relatada no livro “A República”, do filósofo Platão, mais especificamente no Livro VII, ou Capítulo VII, é uma das histórias mais lembradas por todos aqueles que estudaram ou estudam filosofia, seja no ensino básico ou no ensino superior. Inúmeras são as interpretações e as analogias utilizadas para se tentar explicar essa alegoria. Hoje, veremos uma dessas interpretações e analogias.

O verdadeiro nome de Platão era Aristocles, pois, na verdade, Platão foi um apelido dado a esse filósofo ainda em sua juventude, tendo em vista seus atributos físicos marcantes, já que Platão significa “ombros largos” em grego.

Platão nasceu na cidade-Estado de Atenas, atual capital da Grécia, em 428 a.C., e morreu em 348 a.C. Sua família possuía uma boa condição financeira. Além disso, sua mãe, Perictíone, era descendente do grande estadista grego Sólon. Platão chegou a participar de uma campanha militar no final da Guerra do Peloponeso. Viveu sua juventude na famosa democracia grega, mas, depois da Guerra do Peloponeso, viu Atenas entrar em decadência, naquilo que foi chamado de Tirania do 30. Foi aos 30 anos que conheceu Sócrates, que foi seu mestre, mentor e amigo, sendo tão influente na vida de Platão que, na maioria dos escritos platônicos, Sócrates se apresenta como personagem principal e porta-voz das ideias de Platão.

No diálogo da Alegoria da Caverna, Sócrates pedia para que o Glauco imaginasse uma caverna. No interior dessa caverna existiam prisioneiros que, desde a sua infância, estavam acorrentados de tal forma que, a única coisa que conseguiam ver era o fundo da caverna. Atrás deles havia uma fogueira e, entre essa fogueira e os prisioneiros, pessoas passavam diariamente com variados tipos de objetos sobre suas cabeças. Porém, as únicas coisas que os prisioneiros conseguiam enxergar eram as sombras desses objetos no fundo da caverna.

Em determinado momento, um desses prisioneiros era libertado e forçado a observar como são as coisas à sua volta, fora da caverna. No início, a pessoa libertada sofreria vivamente com tal violência e sentiria dificuldades em observar tudo aquilo que não fossem as sombras da qual ele havia se habituado durante sua vida inteira, não entendendo todas aquelas coisas novas que estavam passando diante dele.

Portanto, teria que se habituar, com o tempo, a ver os objetos fora da caverna, ou seja, da região superior, olhando primeiramente as silhuetas dos objetos, para depois olhar os objetos em si mesmo, e, conforme for se acostumando com a vista, poder então contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes, o céu e a Lua. Por fim, seria o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderia ver e contemplar tal como o é.

Posteriormente, esse ex-prisioneiro sentiria vontade de voltar à caverna para tentar libertar os prisioneiros de suas correntes, falando para eles sore tudo aquilo que ele contemplou fora da caverna. No entanto, os prisioneiros não conseguiriam entender o que ele diz, afinal, nenhum deles havia saído da caverna, e, portanto, zombariam dele, dizendo que ele estragou sua própria vista saindo da caverna e, se esse ex-prisioneiro tentasse desacorrentar os prisioneiros, seria agredido e talvez até morto por esses mesmos prisioneiros.

A interpretação da Alegoria da Caverna que quero apresentar aqui pra vocês nesse vídeo é a metafórica, na qual os elementos apresentados possuem o objetivo de transportar o indivíduo da ignorância ao conhecimento.

Pra começar, a caverna em si representa o ambiente na qual nos acostumamos a viver, um ambiente sem crítica, parecido com a do conhecimento do senso comum. As correntes, por sua vez, representam as limitações que nos impomos no decorrer de nossas vidas, sempre achando que não podemos aprender mais, ou que não queremos ou não precisamos aprender mais, e é a partir daí que surgem nossos preconceitos, racismos e intolerâncias, pois não conseguimos nos abrir para novos conhecimentos e entendimentos de tudo aquilo que está ao nosso redor.

Já as sombras significam os falsos conhecimentos, ou os conhecimentos rasos que possuímos acerca das coisas que achamos conhecer. Se trata de tudo aquilo que achamos saber, mas que na verdade não sabemos, porém, como nós nos limitamos com nossas correntes, aquelas sombras nos parecem ser a única verdade da qual temos conhecimento.

A parte na qual algumas pessoas nos libertam de nossas correntes pode ser simbolizada por vários representantes: a presença positiva dos nossos pais ou daqueles que criam e cuidam de nós em nosso desenvolvimento pessoal, nossos verdadeiros amigos, nossos professores da escola, colégio ou faculdade, ou, no caso de Platão, o filósofo Sócrates. Porém, quando recebemos boas influências em nossa vida, nem tudo são flores, pois o aprendizado pode ser doloroso, já que muitas vezes nós recebemos um não daquelas pessoas que a gente menos espera, nos magoando. Mas devemos perceber que essas pessoas, por nos amarem, cada um a seu modo, quer o melhor de nós, nos trazendo assim um conhecimento que pode ser doloroso, mas necessário.

Por fim, o Sol representa a verdade plena, ou o bem supremo, aquilo que almejamos como fim último depois que nos libertamos de nossa ignorância. Portanto, o foco principal da Alegoria da Caverna é fazer com que o indivíduo saia do mundo sensível e parta para o Mundo das Ideias.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

Platão: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/platao.htm

Sólon: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/solon.htm

https://www.picuki.com/media/2253209317186735270

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quem-foi-socrates/

Alegoria da Caverna ilustrada: https://www.youtube.com/watch?v=Rft3s0bGi78

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