ARISTÓTELES – CATARSE

Para o filósofo Platão, a mimese na arte é alienadora, pois a imitação do mundo sensível que a arte produz afasta o ser humano do verdadeiro conhecimento, que está no mundo das ideias. Porém, de acordo com o filósofo Aristóteles, a mimese traz para o artista o poder de acrescentar algo ao real, tendo em vista que a mimese, segundo Aristóteles, iria além da imitação, pois a arte envolve também a criatividade. Desse modo, o artista, frente a sua capacidade criativa, pode transpor os limites da natureza, trazendo também ao indivíduo que contempla a sua capacidade de criação.

A visão de arte que Aristóteles possui é a ideia de arte como CATARSE, que significa purificação, libertação em grego, mais especificamente a purificação do espírito humano. Ao contemplarmos uma obra de arte, seja uma música, um filme, uma série, uma hq ou um mangá, aprendemos coisas novas e conceitos universais que nos fazem sermos melhores, já que sentimos vontade de deixar de errar, de fazermos coisas mais elevadas e de ajudarmos os outros, ou seja, a arte como catarse funcionaria como um guia ético, fazendo com que o ser humano busque se inspirar para a prática do bem ao contemplar uma obra de arte.

Segundo o filósofo Aristóteles, a arte catártica por excelência é a tragédia, pois quando somos submetidos ao drama, ao terror, ou seja, aos sentimentos que a tragédia evoca, somos purificados de tais sentimentos. A tragédia é considerada por Aristóteles como sendo superior e mais filosófica do que a história e a comédia. A tragédia é superior a história porque, enquanto a história tem como objeto o passado, que é particular e temporalmente situado, a tragédia, por sua vez, está ligada ao que pode acontecer no futuro, independe do tempo e trata de conceitos universais, já que a tragédia pode nos ajudar como uma espécie de manual sobre como agir em alguma situação que ocorra com a gente no futuro.

A tragédia é superior a comédia pois a comédia é uma caricatura do humano, já que imita os homens piores, diante de situações constrangedoras das quais nós não queremos passar. Já a tragédia, por sua vez, imita os homens melhores. Podemos tomar como exemplos os heróis gregos Aquiles e Odisseu. No caso do Aquiles, podemos tomá-lo como um herói trágico que, mesmo diante do conhecimento de que ele iria morrer na guerra contra Troia, ainda assim ele enfrentava os inimigos com coragem e determinação, servindo como um exemplo de pessoa corajosa e destemida. E no caso do Odisseu, podemos aprender com ele a como ser estrategista e a como manter sempre a esperança diante das dificuldades que surgem para que assim possamos alcançar os nossos objetivos.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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