ARISTÓTELES – ESSÊNCIA E ACIDENTE

Para o filósofo Aristóteles, todo ser que existe no universo é uma substância, já que é constituído de algo físico, por exemplo, pode ser uma pedra, uma caneta ou o ser humano. Por isso, a substância é aquilo que é em si mesmo, ou seja, cada substância existe por si mesma, e é então o suporte dos atributos, atributos estes que podem ser de dois tipos, essenciais ou acidentais. A essência da substância é o atributo que pertence à substância de tal modo que, se lhe faltasse este atributo, a substância não seria o que é, por exemplo, a substância “ser humano” tem como característica essencial o atributo da racionalidade, por isso, a essência de todo ser humano é ser um ser pensante, racional. O acidente, por sua vez, é o atributo que a substância pode ter ou não ter, sem deixar de ser o que é, tomando novamente o ser humano como exemplo, podemos dizer que os acidentes seriam as formas particulares que cada ser humano possui, como ser gordo ou magro, ser velho ou novo, ser belo ou feio, pois estes atributos não mudam a essência do que é ser um ser humano. Porém, podemos realizar aqui uma reflexão sobre a ideia da racionalidade como sendo a essência do ser humano, afinal, vamos tomar o seguinte exemplo, uma pessoa em coma, que está ligada à aparelhos para continuar vivendo, não possui mais a capacidade de raciocinar, isso quer dizer que ela deixou de ser um ser humano? Ou um ser humano que morreu, ele deixou de ser um ser humano pelo simples fato de não poder pensar mais, mesmo a gente vendo o seu corpo em nossa frente, pois nós não diríamos que este ser que está sendo velado em nossa frente não seria um ser humano? Por isso a pergunta continua, qual é a essência de um ser humano?

Outros conceitos trabalhados na metafísica de Aristóteles são os conceitos de ato e potência. O ato é a forma de toda substância de como ela é no momento presente. Toda substância que existe no agora é em si um ato, ou seja, cada ser, cada objeto que existe neste exato momento é um ato. Já a potência é a capacidade que cada substância tem em tornar-se alguma coisa, em outras palavras, é a possibilidade que toda substância em ato tem de vir a ser, afinal, para se atualizar, toda substância precisa sofrer a ação daquilo que já é em ato. Por exemplo, uma semente é uma substância enquanto ato, mas tem a potência de vir a ser um broto, e um broto será um ato que tem a potência de se tornar uma árvore, e a árvore é em ato uma árvore que tem a potência de se tornar um móvel, um brinquedo, um carvão ou que suas sementes poderão vir a ser um dia outras árvores. O mesmo acontece com o ser humano, pois o feto é em ato um feto, que tem a potência de se tornar um bebê, já o bebê é em ato um bebê que tem a potência de se tornar uma criança, que poderá vir a ser um adolescente, um adulto, um idoso, e, se gerar frutos durante a sua vida, continuará o processo da vida por meio de outros seres humanos. Mas, algo que intrigou Aristóteles é o seguinte, e se fizermos o caminho inverso, pois se todo ato tem a potência de se tornar alguma coisa, indo em direção infinita ao futuro, o que acontece se irmos em direção ao passado? Pois todo ser se originou de algo anterior a ele, que veio de algo anterior, e assim sucessivamente. Mas se fizermos esse caminho inverso, nós poderíamos ir também seguir essa sequência em direção ao infinito, já que todo ser foi produzido por outro ser, e assim por diante. Porém, Aristóteles admite que não poderia existir um passado infinito, por isso o filósofo percebeu a necessidade da existência de uma causa primeira, que não foi causada por nada antes dela, aquilo que ele chamou de Primeiro Motor Imóvel. O Primeiro Motor Imóvel não é movido por nenhuma outra causa, por isso ele é um puro ato, por não possuir nenhuma potência, e é através do Primeiro Motor Imóvel que tudo teve, tem e terá origem. Podemos traduzir o conceito de Primeiro Motor Imóvel como sendo Deus, mas o Deus aristotélico não é religioso, mas sim filosófico, pois Deus seria o puro pensamento, que pensa a si mesmo, por isso seria o “pensamento de pensamento”.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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