ARISTÓTELES – FELICIDADE E VIRTUDE

na sua obra chamada Ética a Nicômaco.

De acordo com Aristóteles, para um sapateiro, fazer os melhores sapatos é a sua finalidade, assim como, para o professor, ensinar o conteúdo do melhor modo é a sua finalidade, e, para o estudante, aprender o conteúdo da melhor maneira é a sua finalidade. Porém, isso seria apenas uma finalidade particular, que cada pessoa busca de forma individual, pois, pra Aristóteles, existe uma finalidade última que todo ser humano busca com essas ações, algo que todo mundo quer alcançar, independente de qual finalidade particular cada pessoa tenha. Essa finalidade última que todo ser humano busca é o que Aristóteles chama de eudaimonia, que significa felicidade em grego, ou seja, a felicidade é o bem último, o sumo bem que todo ser humano busca com suas ações. Por isso, podemos dizer que a ética é teleológica segundo o filósofo Aristóteles, pois tende a um fim, já que telos, de teleologia, significa fim, finalidade em grego. Portanto, o sumo bem, a finalidade, ou o telos último que todo ser humano busca é a felicidade, a eudaimonia.

Mas aí surge a pergunta, afinal, o que seria a felicidade? Para algumas pessoas, a felicidade seriam os bens terrenos, as honras, a fama, o prazer, a glória. Porém, pra Aristóteles, a felicidade é a vida contemplativa e intelectual que desenvolve no ser humano um desejo permanente de fazer o bem a si mesmo e aos que o cercam, ou seja, para o filósofo, a felicidade é racional, pois, na medida em que o ser humano conhece mais, ele não se torna só mais sábio, ele também se torna mais ético e mais feliz, pois, assim, o homem será sábio e feliz. Por isso, a busca por outras coisas pode até nos aproximar da felicidade, mas não é garantia alguma de que a felicidade acontecerá de fato, afinal, muitas pessoas possuem riquezas, fama, honra, glória, mas não são felizes de fato. Por isso, a vida racional, segundo Aristóteles, é o que dará uma maior garantia ao ser humano de ser feliz.

Agora, quanto ao conceito de virtude, podemos dizer que, diferente de Platão, Aristóteles não acredita que a virtude seja algo inato no ser humano, pois assim todos seriam virtuosos, afinal, pra Platão, todo ser humano já nasceria virtuoso, pois, como vimos na aula anterior, para o filósofo Platão a nossa alma já contemplou a virtude e a justiça lá no mundo das ideias, por isso é que todos nós já saberíamos o que é o bem, a virtude e a justiça. Porém, de acordo com Aristóteles, só podemos desenvolver a virtude caso a gente tenha a experiência da virtude, pois, para o filósofo, o nosso conhecimento acerca do que é ético só é alcançado caso a gente aprenda o que é a virtude por meio de nossas experiências de vida, portanto, nem todo mundo seria virtuoso. Além disso, não é porque sabemos o que é certo que o fazemos sempre, e mesmo sabendo a importância de sermos equilibrados em nossas ações, em boa parte de nossas ações não o somos.

Por isso é que, pra Aristóteles, a virtude deve partir de uma disposição da alma, uma vontade que temos de ser virtuosos, ou seja, devemos escolher praticar a ação virtuosa de forma livre, pois só podemos agir verdadeiramente de forma virtuosa caso realizemos as nossas ações por meio da nossa liberdade. Agora, o ser humano só consegue adquirir a virtude através da prática da vida contemplativa e intelectual, ou seja, através da educação. Além disso, podemos dizer que, pra Aristóteles, a virtude é uma mediania, isto é, um nível intermediário entre a falta e o excesso, pois ser virtuoso é ser equilibrado em todas as situações. Por isso é que, pra Aristóteles, a virtude deve ser praticada conforme aquilo que ele chamou de justa medida, para equilibrarmos as nossas ações entre o excesso e a falta. Para ilustrarmos aqui essa ideia de mediania, vamos tomar como exemplo a virtude da coragem, ora, a falta da coragem é aquilo que a gente chama de covardia, ou seja, é quando nós pensamos muito sobre um assunto, mas temos medo de realizar essa ação, ou seja, nós pensamos, mas não agimos. Já o excesso da coragem é a temeridade, que é quando nós agimos sem pensar do que estamos fazendo, ou seja, agimos por impulso, sem refletir sobre as nossas ações. Já a coragem é saber pensar antes de agir, para que a gente possa calcular acerca de qual é a melhor atitude que podemos tomar diante de determinada situação, ou seja, nós pensamos antes de agir, para que possamos agir da melhor forma possível.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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