AVERRÓIS – ÉTICA

Embora Averróis seja um grande expoente do aristotelismo radical, é possível se perceber a presença de Platão também no campo da Ética. Esta presença teve A República como mediação e isso se manifesta nos comentários do filósofo sobre esta obra. No entanto, a força do pensamento aristotélico continua presente em suas concepções também na ética, uma vez que permanecem intocados os princípios fundamentais da ética aristotélica como: o caráter prático desta ciência, sua vinculação com a política, a natureza racional da felicidade humana e é claro, a relação entre o conhecimento da verdade é a prática da virtude.

É de fundamental importância, para uma aproximação da concepção ética de Averróis, a noção e o conceito de virtude. O filósofo a divide em quatro gêneros distintos, a saber: 1) virtudes teoréticas; 2) virtudes dianoéticas, 3) éticas e 4) artes práticas. Estas perfeições, consideradas em si mesmas, adquirem uma finalidade unicamente teórica, dando as condições para que se estabeleçam os princípios de que se utilizam para a determinação do seu fim. Algo aparentemente evidente é que o homem sozinho consiga alcançar todas estas virtudes. A vida virtuosa só pode ser pensada no vínculo comum entre os homens. A doutrina medieval averroísta diz que é em sociedade, e não fora dela, que espontaneamente se desenvolve a vida racional, idéia fortemente presente na Política, onde se lê que o homem é um animal político por natureza. Por este modo, há uma forte inclinação averroísta a uma preocupação no direcionamento do homem à ética e à sociedade, ao convívio e ao desenvolvimento da razão neste convívio.

Desta relação intimista entre a política e a ética decorre a felicidade, e isso porque a virtude assume um papel decisivo na construção do todo social, na mesma medida em que a política, como a mais grandiosa das ciências práticas, pode se traduzir no bem comum.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

BITTAR, Eduardo. O Aristotelismo e o Pensamento Árabe: Averróis e a recepção de Aristóteles no Mundo Medieval. pp.61-103. Revista Portuguesa de Historia do Livro e da Edição – Ano XII, número 24 – 2009.

COSTA, José Silveira da. Averróis: o aristotelismo radical. São Paulo: Editora Moderna, 1994.

GILSON, Étienne. A Filosofia na Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

Deixe uma resposta