COMTE – POSITIVISMO

Positivismo foi uma escola filosófica desenvolvida pelo sociólogo e filósofo francês, Auguste Comte, no início do século XIX. Auguste Comte é considerado o pai da Sociologia. Além disso, o positivismo é considerado a base para o surgimento do Cientificismo, que acredita que o único modo de se chegar ao verdadeiro conhecimento é através da Ciência. É de tal afirmação que podemos entender qual é o verdadeiro significado do termo positivo, pois considera que o verdadeiro conhecimento é aquele que é comprovado pela experiência científica, que é a única capaz de enunciar as leis universais, ou seja, só é considerado conhecimento aquilo que pode ser positivado, comprovado pela ciência.

positivismo é uma corrente teórica inspirada no ideal de progresso contínuo da humanidade, sempre evoluindo para uma etapa mais desenvolvida. O positivismo influenciou o período político da Primeira República do Brasil, no fim do século XIX, tanto é que o ideal positivista de progresso contínuo pode ser observado no lema da bandeira do Brasil, “ordem e progresso”, que é um resumo da frase positivista, que pode ser enunciada de modo completo da seguinte maneira: para que uma sociedade possa se desenvolver, ela deve ter o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim. O amor deve ser traduzido aqui por ética, ou seja, a ética deve ser o princípio do comportamento da sociedade, a ordem diz respeito às leis, que devem ser a base da sociedade, e o progresso é o que toda sociedade deve querer alcançar, como objetivo final.

Esse progresso, que é uma constatação histórica, deve ser sempre reforçado, de acordo com o que Auguste Comte chamou de Ciências Positivas, a saber: a matemática, a astronomia, a física, a química, a biologia, a moral (vista aqui como psicologia positiva) e a sociologia. O que todas essas ciências têm em comum é o fato de que elas partem da própria realidade para determinar a verdade, ou seja, elas são consideradas científicas porque suas teorias podem ser comprovadas por meio das técnicas científicas válidas observadas na realidade. A partir de então a Sociologia começa a ser tratada como uma física social, pois o objetivo de Comte era compreender todos os fenômenos sociais da mesma forma que as ciências naturais buscavam compreender seus objetos de estudo.

Comte também elabora a chamada “Lei dos Três Estados”, que estabelece três classificações distintas da evolução da humanidade, na qual a sociedade passa por três fases progressivas em busca da verdade: o estado teológico, o metafísico e o positivo.

No estado teológico, também chamado de estado mítico, que seria o primeiro e menos desenvolvido estado, tudo estaria associado ao sobrenatural, irracional e místico, pois acreditava-se na fé como recurso para o conhecimento.

No estado metafísico, que é o segundo e intermediário estado, o ser humano passou a se orientar por sistemas filosóficos sem precisar de comprovação na realidade, pois tudo era ordenado segundo a razão, e os conceitos eram considerados abstratos e impessoais

estado positivo, que é o último e melhor estado, ocorreu, segundo o filósofo Comte, a partir do momento em que a humanidade passou a priorizar a ciência como fonte do saber seguro, comprovável e confiável, ou seja, quando a realidade era traduzida segundo explicações científicas, pois começaram a serem fundamentadas em observações, experimentos e comparações.

Podemos dizer que o positivismo e o determinismo cientificista proposto por essa escola filosófica desconsiderou os conhecimentos míticos e metafísicos, considerando somente a ciência como fonte única de um verdadeiro conhecimento seguro e comprovável.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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