DAVID HUME – EMPIRISMO

Hume tenta desenvolver uma teoria do conhecimento que estabeleça os princípios e a base de todo o processo do conhecimento humano. Para começar, Hume diz que não tem como o ser humano dar origem a ideias, pois, em nossa condição, somos inteiramente submetidos aos sentidos. Hume nos mostra que sempre que ocorre a repetição igual de alguma ação e percebemos sempre a mesma ação sem que com isso precisemos nos utilizar de qualquer raciocínio ou reflexão crítica, dizemos que essa propensão é um efeito do hábito. Por isso, para o filósofo, todas as inferências derivadas da experiência são efeitos do costume e não do raciocínio.

É por isso que Hume faz uma crítica à teoria da causalidade, porque, para ele, não existe a causalidade, pois a causa-efeito é produzida pela experiência que temos com os fenômenos e por nosso hábito de estabelecer ligações entre eles, afinal, temos a tendência a estabelecer certos vínculos que acreditamos serem necessários, lógicos e coerentes, mas não o são, porque a nossa mente acaba criando certas relações fenomênicas que não existem. Por hábito, acabamos estabelecendo determinados esquemas de experiências que vivenciamos no passado e que se repetem. Essa repetição fortalece a minha ilusão e a minha crença na existência objetiva da causalidade. Porém, não é porque vemos certo fenômeno se repetir do mesmo modo até hoje que isso nos dará a garantia de que isso acontecerá sempre, pois poderá chegar um momento em que um mesmo fenômeno poderá apresentar um resultado diferente do que já observamos até agora.

Ainda de acordo com Hume, pode-se dizer que o nosso conhecimento é derivado de nossas impressões e ideias. As impressões são um conjunto de dados de eventos sensoriais que se apresentam a nós de forma imediata, sem nenhuma elaboração mental, ou seja, são todas as coisas que sentimos através dos nossos cinco sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato). Já as ideias são as cópias das impressões, percepções mais frágeis, menos vivas do que as impressões. Exemplo, recordar a ideia de chocolate será mais fraco do que saborear um chocolate. Por isso, todas as nossas ideias são cópias mais fracas de nossas impressões mais vivas. Pode-se dizer que existem ideias simples e ideias complexas. As ideias simples são originadas por impressões simples. As ideias complexas vêm de impressões complexas ou da associação entre várias ideias simples. Só a mistura e composição entre impressões e ideias é que dependem de nossa mente e vontade. Exemplos: ao termos uma impressão simples das cores, podemos arquivar em nossa mente a ideia simples de cores, e, ao termos uma impressão complexa de animais, como um panda, podemos desenvolver em nossa mente uma ideia de panda com cores diferentes do que as cores próprias do panda, por exemplo, trocar a parte branca do panda pela cor azul. Lembrando que as impressões são as que dão origem ao conhecimento, enquanto que as ideias são dependentes das impressões que obtemos no decorrer de nossa vida.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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