DESCARTES – RACIONALISMO

O racionalismo é uma das tendências filosóficas desenvolvidas durante a Idade Moderna, que iniciaram o debate sobre a epistemologia, a teoria do conhecimento, que serviu como pilar para a ciência moderna, a partir da questão de como alcançamos o conhecimento.

No racionalismo, a razão é a principal faculdade humana e a única fonte de um conhecimento seguro. Portanto, para os racionalistas, os sentidos não são uma fonte segura para o conhecimento, afinal, os sentidos podem nos enganar, como é o caso da ilusão de ótica, por exemplo. Então, é em nosso espírito que está a nossa racionalidade. Por isso, a razão é a única condição segura que nos garante a possibilidade do conhecimento.

Um dos maiores representantes do racionalismo foi o filósofo francês René Descartes. Ele estava decepcionado com o ensino que estava recebendo, a saber, a filosofia escolástica, já trabalhado aqui nas aulas anteriores, que era uma filosofia desenvolvida durante a idade média e que já não era mais capaz de conduzir a uma verdade segura, segundo Descartes. Portanto, o filósofo estava em busca da verdade fundamental para um conhecimento seguro. Por isso, Descartes vai desenvolver a chamada dúvida metódica, um procedimento metódico que traz a ideia de que precisamos duvidar de tudo quanto for possível, até mesmo duvidar das próprias dúvidas, com a intenção de chegar a algo que seja indubitável, ou seja, algum tipo de conhecimento que não possua dúvida alguma. Para isso, precisaríamos partir de que tudo seja falso para encontrar algo indubitável, que seja isento de dúvidas, ou seja, precisamos duvidar acerca de todas as coisas e duvidar inclusive de nossas próprias dúvidas. Primeiramente, Descartes irá duvidar acerca dos nossos próprios sentidos, pois eles podem nos enganar, afinal, nem tudo aquilo que sentimos através dos nossos cinco sentidos é aquilo que aparenta ser, como, por exemplo, um cheiro de um alimento pode ser muito bom, mas o seu gosto pode ser ruim e não condizer em nada com o cheiro, porém, nós deixamos de nos enganar quando percebemos que o gosto realmente não condiz com o cheiro. Porém, em um sonho, não conseguimos perceber que o que estamos sentindo é uma ilusão, até o momento em que acordamos, e que, mesmo no sonho, 2+3 sempre será 5. Mas é aí que Descartes lança a ideia de um gênio maligno, ou seja, a existência de um ser extremamente poderoso que, sempre que a gente tente somar 2+3, esse gênio maligno vai e coloca 5 em nossa mente somente para nos enganar, fazendo-nos duvidar até mesmo das verdades matemáticas. Afinal, o que nos garante que os cálculos matemáticos darão sempre o mesmo resultado? Porém, quando pensamos que a dúvida estará sempre presente e que não conseguiríamos chegar a um conhecimento seguro, Descartes percebe então que podemos duvidar de tudo, mesmo do fato de estarmos duvidando, porém, não podemos duvidar do seguinte: se duvido, penso e, se penso, eu sou alguma coisa, por isso, se eu penso, eu existo. Esse pensamento foi muito bem expresso em uma das mais famosas frases da filosofia, a saber, “Cogito ergo sum” (“penso, logo existo” em latim). Este é o Cogito Cartesiano, o princípio fundamental do qual devemos partir em direção a um conhecimento seguro, pois esta seria a autoevidência existencial do sujeito pensante, que possibilita a construção de todo o conhecimento.

Partindo da verdade indubitável “penso, logo existo”, podemos então utilizar o método cartesiano para podermos conhecer o mundo à nossa volta. No seu livro Discurso do Método, Descartes apresenta o que ele considera ser as regras para o entendimento de algo, para o conhecimento de algo, sendo eles em 4 passos. O primeiro passo é a evidência, ou seja, se eu quero conhecer algo acerca do mundo, devo aceitar apenas o evidente, aquilo que se mostra claramente para mim. O segundo passo é a análise, ou seja, devo dividir o problema em quantas partes forem necessárias, pois assim será mais fácil aplicar a terceira parte, a síntese, onde eu vou organizar, classificar e abordar os problemas do mais simples ao mais complexo. Por fim, eu realizo o quarto passo, que é o controle, onde eu faço revisões constantes para saber de uma forma mais clara se cheguei ao conhecimento verdadeiro ou não. Portanto, segundo Descartes, se seguirmos esses quatro passos, conseguiremos compreender claramente todo o tipo de conhecimento da qual pretendemos desenvolver.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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