EPICURISMO E ESTOICISMO

Os povos gregos eram chamados de helênicos pois, na mitologia grega, Heleno era um deus, filho de Pirra e Deucalião. Os povos que deram origem à identidade grega (como os aqueus, os jônios, entre outros) se diziam descendente de Heleno. Daí então os povos gregos se denominarem helênicos. Portanto, o helenismo leva esse nome pois se trata da fusão das culturas grega e oriental, que ocorreu entre o século III a.C. até o século III d.C., por meio da expansão do Império Macedônico de Alexandre, o Grande. No séc. IV a.C., a Grécia foi conquistada por Felipe II, da Macedônia. Seu filho, Alexandre, o Grande, foi educado por nada mais nada menos do que o filósofo Aristóteles, e Alexandre ficou tão entusiasmado com a cultura grega que decidiu levá-la a todos os povos que conquistasse. Por isso, após a morte de Alexandre, o helenismo, ou seja, viver como os gregos, era praticamente o modo de viver da maioria dos povos daquela região. Nesse período, surgem diversas escolas filosóficas que apresentam uma FILOSOFIA DE VIDA para o ser humano. São as escolas éticas. As mais importantes foram o Epicurismo e o Estoicismo, além do cinismo e do ceticismo.

O epicurismo foi fundado por Epicuro de Samos, que pregava que a felicidade é alcançada pelo prazer. Ou seja, se alguém deseja ser feliz, tem que buscar o prazer e desprezar o sofrimento. Por isso é que os epicuristas eram chamados de hedonistas, já que hedon significa prazer em grego. Assim, uma vida de prazeres contínuos levará o indivíduo à felicidade contínua, lembrando que o indivíduo deve buscar o prazer desde que seja de forma moderada e correta, além do que, Epicuro desprezava os prazeres ligados aos desejos de riqueza, poder, fama ou movidos pela sensualidade desregrada. Além disso, se afastar de todo tipo de coisas que causam dor, aflição, ou privação de prazeres deve ser nossa meta cada dia. Por isso, os prazeres a serem buscados devem ser aqueles que não provocam dor ou perturbação. Assim, o prazer supremo apresentado por Epicuro é aquele que diz respeito a “aponia” que significa ausência de dor no corpo, e a ataraxia, que significa ausência de perturbação da alma. Desse modo, existem aqueles prazeres que são naturais e necessários, como, por exemplo, comer quando se tem fome e repousar quando se está cansado, existem também os prazeres naturais e não necessários, que podem ser buscados de forma moderada, como cultivar a amizade ou saborear uma comida refinada. Porém, existem os prazeres não naturais e não necessários, que devem ser evitados segundo Epicuro, pois provocam instabilidade e sofrimento, como buscar a glória ou o poder, por exemplo.

O estoicismo, por sua vez, era assim chamado porque Zenão de Cítio, seu principal representante, não era cidadão ateniense, e por não poder comprar uma casa, acabava então se reunindo com os seus discípulos nos pórticos, ou seja, nas entradas dos prédios que formavam uma galeria com colunas, pórticos estes que se chamavam Stoá em grego, daí onde derivou o conceito Estoicismo, pois os estoicos eram conhecidos como filósofos do pórtico. Tanto os epicuristas quanto os estoicos defendiam o materialismo e a concepção de filosofia como sendo a arte de viver. Porém, os estoicos desprezavam qualquer tipo de prazer, pois consideravam o prazer como sendo a fonte de muitos males, por isso, para se alcançar a serenidade, ou seja, a ataraxia, o indivíduo deve eliminar as paixões, não simplesmente moderá-las, pois são as paixões que causam o sofrimento. Por isso, estoico é o indivíduo que levava uma vida simples, que encara os sofrimentos com indiferença e tem como objetivo o viver de acordo com a natureza e a racionalidade. Zenão propunha a vida regrada, singela, com poucos bens materiais e uma indiferença total ao mundo material. Agindo assim, o homem atingirá a VIRTUDE e viveria de forma racional, o que significa desapego das paixões terrenas. Portanto, se a virtude do sábio é viver de acordo com a natureza e a razão, não seria o prazer que traria a felicidade, mas sim a virtude. O melhor modo de conservar o seu ser é estar em harmonia consigo mesmo e aceitar serenamente o seu destino, lembrando que, estar submetido ao destino não é sucumbir às forças externas sem reação alguma, mas sim entender que devemos viver conforme a natureza, afinal, existem coisas que nós podemos controlar e coisas que nós não podemos controlar, por isso, não podemos nos incomodar com as coisas que nós não podemos controlar.  Desse modo, se é próprio da natureza humana viver de modo racional, a razão deve substituir o instinto pela vontade, para assim alcançar a harmonia de vida, e então, alcançar a sabedoria.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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