FAKE NEWS E PÓS-VERDADE

Da Terra Plana aos reptilianos, muita coisa estranha circula entre as mensagens no WhatsApp e nas redes sociais. Se não todas, a maioria das pessoas que utilizam a internet já devem ter recebidas algum link duvidoso acerca de algum tema polêmico ou uma mensagem, por texto, áudio ou vídeo, de alguém se passando por um tipo de autoridade no assunto ou em nome de uma suposta autoridade, apresentando opiniões estranhas acerca de temas diversos. Muitas dessas mensagens tratam de assuntos que, ou estão na pauta do dia, ou tratam de temas que nunca saem de moda.

Esses tipos de mensagens recebem o nome de Fake News, ou seja, Notícias Falsas em inglês. Apesar do termo ter ganhado notoriedade com o surgimento das redes sociais, essa expressão surgiu no final do século XIX. No contexto atual, Fake News são informações falsas compartilhadas em redes sociais. Um dos casos mais famosos remonta à época da eleição de Trump nos Estados Unidos, nas quais identificaram-se vários sites com conteúdos falsos, por meio de uma abordagem sensacionalista, envolvendo os adversários de Trump e outros temas polêmicos. A utilização de Fake News nas eleições políticas foi inclusive tema de debate nas eleições brasileiras de 2018, já que a disseminação de Fake News influenciou nos resultados para a ocupação do maior cargo político do país.

Essa distribuição massiva de Fake News pode parecer inofensiva a princípio, mas, na verdade, são bem perigosas, pois podem ser utilizadas de modo antiético, como, por exemplo, atrair o acesso ao site para ganhar dinheiro com a publicidade digital, reforçar pensamentos preconceituosos, ou criar boatos acerca de pessoas ou assuntos através de mentiras e da disseminação de ódio. Assim, de modo velado ou explícito, as Fake News são carregadas de preconceitos acerca de determinadas posições políticas, culturais, religiosas, entre outras categorias. Além disso, muitas vezes não colocamos em dúvida o conteúdo que está sendo apresentado para nós, então aceitamos passivamente como verdadeiras tais informações e tomamos para nós as falsas dúvidas presentes na mensagem, através de uma falsa sensação de criticidade, pois não percebemos que estamos apenas reproduzindo as falsas dúvidas que essas mensagens nos induziram a termos. Mas por que o compartilhamento dessas mensagens faz tanto sucesso?

O medo, o preconceito, a intolerância e a falta de conhecimento levam as pessoas a acreditarem nas Fake News que chegam pelas redes sociais. Além disso, tais pessoas passam a ter a seguinte ideia: vou compartilhar tal mensagem pois isso está de acordo com a minha opinião e, portanto, todas elas devem ser verdade. Tal posicionamento tem um nome: nós a chamamos de pós-verdade. No dicionário Oxford, pós-verdade diz respeito “as circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoas”. Dito de outro modo, é como se a pessoa acreditasse mais naquilo que ela acha que é o certo, e no que ela quer que seja o certo, do que entender os próprios fatos da realidade em si. Ou seja, a pessoa define determinadas notícias como sendo verdadeiras somente porque ela concorda com aquelas notícias, distorcendo os fatos e a realidade para que caibam em sua opinião. Essa atitude torna-se mais perigosa através das bolhas virtuais, a saber, quando acabamos excluindo, censurando, difamando ou deixando de seguir pessoas nas redes sociais que pensam diferente de nós, e, ao compartilhar Fake News e receber likes e comentários que apoiam a nossa opinião, acabamos nos isolando cada vez mais em nossas próprias bolhas, começando a acreditar cada vez mais que nossa opinião é a correta, independente do que os fatos nos mostram.

Mas como evitar o compartilhamento das Fake News? Podemos nos livrar da equivocada atitude de passar Fake News, por meio do posicionamento da pós-verdade, através do uso da dúvida filosófica, que funciona como uma espécie de peneira filosófica, por meio de questionamentos essenciais, tais como, procurar saber se tal mensagem é realmente verdadeira ou não pesquisando sites seguros que tratem sobre o assunto, tentar descobrir se a pessoa no áudio ou no vídeo é realmente quem disse ser e, caso o seja, saber se ela realmente entende do assunto e se tem uma boa base de estudos para comprovar o que está falando, e também dialogar pacificamente com aqueles que possuem opiniões diferentes da sua sobre os assuntos, estando aberto a corrigir os seus próprios erros, afinal, nós, seres humanos, erramos. Por isso, devemos saber fazer as perguntas certas, ao colocar em dúvida a mensagem apresentada, não defendendo aquilo que a suposta autoridade diz, mas sim passando tal mensagem por essa peneira filosófica, podendo assim chegar a uma conclusão mais adequada do assunto abordado, e, caso essa mensagem não consiga passar pela peneira filosófica, o correto é não compartilhar tal mensagem, já que ela se mostra falsa.

Para completar, deve-se perceber que o mais preocupante no compartilhamento de Fake News é que tais mensagens trazem impactos negativos na sociedade, exemplos: a manutenção de estereótipos raciais e de gênero, a intolerância quanto à determinadas posições políticas, culturais ou religiosas, e a desinformação científica, já que o movimento anticiência traz prejuízos ao desenvolvimento da sociedade, como é o caso da terra plana, ou prejuízos sociais, como é o caso do movimento antivacina. Por isso, antes de espalhar informações falsas, procure conhecer mais acerca daquilo que chega em suas redes sociais, para não acabar espalhando Fake News sem perceber.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

https://mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/fake-news.htm

https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/resumo-atualidades-a-era-da-pos-verdade/

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