FEYERABEND – ANARQUISMO EPISTEMOLÓGICO

Feyerabend inicialmente foi aluno de Popper, mas depois se afastou do modelo de ciência racional desenvolvido pelo seu professor. Depois, Feyerabend foi amigo do filósofo Thomas Kuhn, este que apresentava a ideia de que o progresso científico move-se através de mudanças de paradigmas, em que os antigos paradigmas são substituídos de por novos sistemas, novos paradigmas. Feyerabend foi ainda mais além, ao sugerir que quando essa mudança de paradigma, todos os conceitos e termos científicos são alterados, e que não tem então um sistema científico permanente de sentido, que seja válido para sempre.

Com isso, o filósofo da ciência Feyerabend colocou em questão a própria racionalidade científica desenvolvida pelos positivistas, por acreditar que as metodologias normativas não seriam instrumentos adequados de investigação, defendendo então o pluralismo metodológico e denominando-se como “anarquista epistemológico”. Isso fica evidente em sua obra mais famosa, chamada Contra o método. Por epistemologia podemos dizer que é o ramo da filosofia que trata sobre as teorias do conhecimento, e sobre a anarquia podemos dizer que todas as metodologias utilizadas nas ciências estão limitadas em seu alcance. Por isso é que não existiria algo como “método científico”, mas sim “métodos científicos”, de forma plural, pois a ciência é uma atividade metodologicamente anárquica e é apenas um dos modos de se compreender a realidade. Ao vermos como as áreas da ciência se desenvolvem na prática, o único método que o Feyerabend vai apresentar como possível é o de que “tudo vale”, pois a ciência nunca progrediu de acordo com as regras estritas, por isso é que a filosofia da ciência não pode exigir tais regras, pois isso limitaria o progresso científico.

Ou seja, por uma questão democrática, Feyerabend apresenta a ideia de que, do mesmo modo que existe uma pluralidade de ideias e formas de vida, a ciência não deve se submeter à imposição de um único método, pois, segundo o filósofo, “o único princípio que não inibe o progresso científico é que: tudo vale”. Por isso é que o cientista poderia fazer o que mais fosse lhe agradar, porque não existiria norma de pesquisa que não tivesse sido violada. O cientista deve inclusive persuadir e tentar convencer a comunidade científica se utilizando de recursos retóricos através da propaganda, por exemplo.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

Deixe uma resposta