FRANCIS BACON – EMPIRISMO

O filósofo Francis Bacon faz parte do movimento filosófico chamado empirismo, do grego empeiria, que significa experiência, ou seja, tal movimento apresenta a ideia de que a única fonte possível para o conhecimento é a experiência por meio dos nossos cinco sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato). Portanto, contrário aos racionalistas, que apresentavam a ideia de que os sentidos nos enganavam na busca por conhecimento, para os empiristas, a experiência desempenha um papel central na aquisição e na estruturação do conhecimento.

Um dos filósofos empiristas mais conhecidos é o Francis Bacon, que nos apresenta a condição de que, para que a gente alcance o conhecimento, devemos primeiro limpar a mente de todas as coisas que atrapalham a busca pelo conhecimento, aquilo que o filósofo chamou de ídolos, pois os ídolos nos limitam na busca pela verdade. Ao todo Bacon apresenta 4 ídolos, a saber, os ídolos da tribo, os ídolos da caverna, os ídolos do foro e os ídolos do teatro. Os ídolos da tribo são aqueles que dizem respeito aos problemas da própria natureza humana, que levam à percepção do universo de maneira diferente do que ela é de fato, ao estabelecermos relações que não existem entre coisas da natureza. Já os ídolos da caverna são as falsas noções que surgem das vivências particulares de cada indivíduo, que, por terem vivido suas experiências individuais, acabam criando cada um a sua própria caverna interior. Os ídolos do foro, ou do mercado, são os erros que dizem respeito à ambiguidade da comunicação proporcionada pelo mau uso da linguagem, pois usar erroneamente as palavras impede a construção de um conhecimento coeso e estruturado. Por fim, os ídolos do teatro tratam daqueles indivíduos que aderem a sistemas filosóficos, que, por se utilizarem de regras falsas de demonstração, afastam o ser humano do caminho da verdade.

Então, de acordo com o filósofo Francis Bacon, na medida em que nos afastamos dos ídolos, nós devemos aderir ao método experimental indutivo, que é a forma de conduzir o raciocínio, os experimentos e os procedimentos científicos indo do particular em direção ao geral. Ou seja, devemos partir de observações particulares acerca do fenômeno que estamos estudando, acumulando fatos, classificando eles e encontrando suas causas, pois a observação sistemática de repetições e regularidades em eventos particulares vai nos proporcionando a proposição de leis gerais, estruturando assim o conhecimento. Portanto, o método indutivo parte do real, singular, concreto, experienciável para que só então busquemos níveis mais gerais, universais acerca do conhecimento verdadeiro.

Bacon apresenta também as tábuas, os pilares em que a indução deve se fundamentar. São elas: a tábua da presença, na qual devemos listar os casos em que o fenômeno estudado se apresenta; a tábua da ausência, em que realizamos um levantamento dos casos parecidos, mas que não apresentam a ocorrência do fenômeno estudado; e a tábua dos graus, na qual se classificam os diversos graus de intensidade em que o fenômeno estudado ocorre.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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