KANT – O BELO E O SUBLIME

A beleza e o gosto são objetivos ou subjetivos? Para nós, modernos, a resposta pode parecer simples, pois hoje é muito comum definirmos o belo e o gosto como algo particular, algo pessoal, subjetivo. Mas nem sempre foi assim. Para os gregos antigos, por exemplo, o belo era objetivo, pois estava ligado a tudo aquilo que estivesse em sua ordem cósmica, ou seja, o belo estava na própria natureza, no cosmos, e todos conseguiriam definir o belo de forma objetiva. Na Idade Média, o belo continuou sendo algo definido objetivamente, pois o belo era identificado com Deus e toda a criação divina, e aquilo que não possuísse tal ligação, era determinado como feio. Por isso, a definição do belo e do gosto como algo subjetivo só começou a ser desenvolvido na modernidade, quando ocorre uma quebra na ligação entre religião e filosofia, através de movimentos como a revolução científica e o Iluminismo.

Sobre o iluminismo, podemos destacar um de seus maiores representantes, a saber, o filósofo Kant, que definiu o belo como sendo aquilo que agrada universalmente, sem interesse e é fruto da relação entre sujeito e objeto. Ou seja, apesar do belo ser diferente de pessoa para pessoa, pois parte de uma ligação entre o sujeito que contempla e o objeto contemplado, ainda assim algo será belo sempre que agradar a alguém, de forma universal, por isso definimos algo como sendo belo, pela sua capacidade de nos agradar. O belo também é desinteressado, pois algo deve ser belo em si mesmo, sem interesse, ou seja, o belo não é um meio para se alcançar a outro fim, mas ele é simplesmente belo porque é belo, como um fim em si mesmo.

Para Kant, o ser humano possui a capacidade de determinar o juízo estético, que é subjetivo na representação de um objeto. Por meio do juízo estético possuímos a capacidade de produzir um prazer desinteressado e nos fazer compreender o belo existente na natureza. Por isso, o juízo estético é fruto do livre jogo das estruturas cognitivas e da imaginação, capaz de nos fazer compreender a escrita cifrada por meio da qual a natureza fala conosco em suas belas formas.

E o que seria então o sublime? De acordo com o filósofo Kant, sublime é o que percebemos por ilimitado e ultrapassa os limites sensoriais. Trata-se de algo que inexiste no objeto, ou seja, é próprio do espírito humano. Por isso, enquanto o belo está ligado às nossas sensações, e algo belo será belo porque agrada aos nossos sentidos, será pela experiência do sublime que podemos ultrapassar as barreiras sensoriais, porque o sublime é essencialmente espírito, pois nos enleva deste mundo e nos abre as portas do suprassensível. Para exemplificar, podemos entender o sublime da seguinte forma, o sublime é aquele momento em que você está tão imerso contemplando uma música que você acha bela que você acaba se desligando de tudo aquilo que está a sua volta e fica totalmente inserido no universo daquela música, ou seja, o seu espírito se liga completamente à música que você está contemplando, em um momento em que você fica imerso em tudo aquilo que esta música está te proporcionando não só aos seus sentidos, mas também ao seu espírito.

Para resumir, segundo Kant, belo é aquilo que agrada por si mesmo, de modo desinteressado, universal e necessário, pois é subjetivo. Porém, o belo não é sublime, mas desperta o sentimento de sublime em nós, devido ao fato de que projetamos no objeto a ideia de sublime que ele fez despertar em nós.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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