NEOPOSITIVISMO – O CÍRCULO DE VIENA

O Círculo de Viena foi fundado no início do século XX, na cidade de Viena, Áustria, por alguns cientistas, lógicos e filósofos da ciência, entre eles, podemos destacar Rudolf Carnap, Otto Neurath e Moritz Schilick. Os pensadores do Círculo de Viena sofreram influência de Einstein, Russell e Wittgenstein. Este círculo surgiu da necessidade de fundamentar a ciência a partir das concepções que a Filosofia da Ciência ganhou no século XIX, com o positivismo. Por isso, são chamados de neopositivistas, pois tentaram refinar e atualizar as teorias propostas pelo positivismo. Por isso, para os neopositivistas, a lógica, a linguagem, a matemática e a física teórica são extremamente importantes na construção de teorias científicas.

O movimento do Círculo de Viena também pode ser chamado de positivismo lógico ou empirismo lógico, porque para eles o saber científico deve ser purificado, separado dos conceitos teológicos e de conceitos vazios, como é o caso dos falsos problemas metafísicos. Além disso, a ciência deveria se submeter ao que eles chamaram de critério da verificabilidade, ou seja, só pode ser considerado científico aquilo que puder ser verificado na realidade, e tudo o que não pode ser verificado deve ser entendido como algo desprovido de sentido, como, por exemplo, os conceitos metafísicos, religiosos ou qualquer ideia que possua uma avaliação subjetiva.

Sobre o critério da verificabilidade, podemos tomar a seguinte frase de Schilick: “As proposições fatuais são, pois, o fundamento de todo saber, mesmo que elas precisem ser abandonadas no momento de transição para afirmações gerais. Estas proposições estão no início da ciência. O conhecimento começa com a constatação dos fatos”. Com isso, Schilick quer dizer que o conhecimento verdadeiro deve sempre partir da observação dos fatos na realidade, e o que não pode ser verificado não faz sentido para a ciência.

A verificação de uma teoria científica pode ser feita através da demonstração ou através da experiência. Por demonstração, podemos dizer que é feita através da lógica e da matemática, para a busca de uma coerência interna, já a que fala acerca da experiência diz respeito à verificação empírica, experimental, pela qual chegamos aos enunciados das ciências da natureza, por isso é que as leis científicas dependem sempre da experiência, das constatações, e que a lógica simbólica é muito importante para clarificar a linguagem científica.

Para os filósofos neopositivistas, uma teoria só pode ser considerada científica caso ela seja unificada em linguagem e fatos, para que ela possa ser fundamentada. Por isso é que as proposições científicas serão somente aquelas que se referem à experiência e podem ser verificadas na realidade, por exemplo, a proposição “existe água na Lua” pode ser considerada científica, pois tanto o componente químico água quanto a Lua podem ser verificados na realidade, já a proposição “o conhecimento está no Mundo das Ideias” não pode ser considerado científico, pois não podemos verificar a existência do Mundo das Ideias na realidade, por se tratar de um conceito metafísico.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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