O BELO NA ANTIGUIDADE E NA MODERNIDADE

beleza é um dos objetos de estudo da área da filosofia chamada estética. Tratando em linhas gerais, belo é tudo aquilo que nos agrada, ou seja, algo que nos satisfaz os sentidos, por exemplo, comer um alimento delicioso, e que nos proporciona prazer sensível e espiritual, como ouvir uma boa música e se sentir feliz contemplando-a. Ao longo da história da filosofia, vários pensadores se debruçaram sobre a reflexão acerca do que é o belo, na qual uns determinaram o belo como algo que está objetivamente nas coisas e outros expressaram a ideia de que o belo é um juízo subjetivo de cada pessoa, tempo ou sociedade. Portanto, vamos fazer um breve resumo acerca das definições de belo apresentadas pelos filósofos, desde a antiguidade até a atualidade.

Vamos começar pela definição de belo segundo Sócrates, presente no livro do filósofo Platão chamado Hípias Maior. Para Sócrates, o belo está relacionado com a ética, ou seja, quando você usa a sua dýnamis, a sua potencialidade, para o bem, então a sua ação é bela, ou, quando ocorre um mal uso ou a falta da dýnamis, a sua ação será feia. Sócrates também apresenta a definição de belo por meio daquilo que causa prazer através dos sentidos. Entretanto, no final do diálogo a questão sobre o belo não se conclui, porque Sócrates o termina dizendo que a definição do que é belo é difícil.

Já na definição de Platão, o belo se liga à verdade. Isso se deve ao fato do belo ser um conceito universal presente no mundo das ideias, não no mundo material. Portanto, algo só pode ser definido como belo quando estiver ligado à episteme, que significa conhecimento verdadeiro em grego, pois está presente no mundo inteligível, e não podemos definir a beleza de algo com base na doxa, ou seja, na opinião, tendo em vista que a doxa faz parte do mundo sensível que percebemos através dos sentidos, já que esse mundo físico é imperfeito e subjetivo.

Indo em direção ao começo da Idade Média, o filósofo cristão Agostinho entende a beleza como um todo harmonioso, que possui unidade, proporção, igualdade e ordem, já que o belo é reflexo da criação divina e da perfeição de Deus, que é belo, bom e verdadeiro. Na outra ponta da Idade Média temos Tomás de Aquino, que relacionava a beleza com a bondade e verdade, pois são atributos transcendentais de Deus. Além disso, enquanto a beleza estava associada à integralidade, à harmonia e à claridade, o feio estava associado ao fragmentado, à desarmonia e à escuridão.

Na modernidade, Kant, em sua obra Crítica da Faculdade do Juízo, estabelece o belo como fruto da relação entre sujeito e objeto, através da representação que o sujeito faz ao contemplar o objeto belo, provocando no sujeito o sentimento de prazer. Portanto, belo é aquilo que agrada universalmente, sem interesse, ou seja, a contemplação de algo belo deve ser realizada de modo a causar um prazer desinteressado, pois o belo deve ser belo em si mesmo.

Já no século XX, os filósofos Adorno Horkheimer, no livro A Dialética do Esclarecimento, apresentaram a ideia de que as obras de arte se tornaram um produto comercial e, consequentemente, o próprio conceito de belo passou a ser entendido como algo ligado ao consumo e aos desejos egocêntricos. Além disso, o belo também passou a perder seu espaço central nos objetivos das obras de arte, muitas vezes dando lugar ao estranho e ao feio. A cultura artística se torna instrumentalizada, a serviço da manipulação das consciências. Esses filósofos irão chamar esse fenômeno de Indústria Cultural, que retira do indivíduo a sua capacidade crítica, consumindo a arte sem refletir sobre ela. Portanto, o belo perde a sua capacidade catártica e desinteressada para ser utilizada como um meio de consumo, sem reflexão alguma, totalmente destituída de sentido.

Portanto, percebam que a noção de beleza foi se modificando ao longo do tempo, a saber: na antiguidade clássica, o belo era belo em si mesmo, pois estava relacionado com o bem e a verdade, pois a ética, a verdade e a beleza não poderiam ser entendidas como elementos independentes, mas sim como elementos complementares. Na idade média, o belo também era objetivo, mas desta vez estava ligado ao conceito de Deus e sua criação. Assim, belo será tudo aquilo que remete às escrituras sagradas e às normas cristãs. Já na modernidade e na contemporaneidade, o belo se torna algo mais subjetivo, pois está presente na ligação entre o sujeito que contempla e o objeto contemplado, na qual o sujeito é quem define o objeto como sendo belo ou feio.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

https://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/enem/2016/08/12/noticia-especial-enem,793593/dia-nacional-das-artes.shtml

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-estetica-na-filosofia-platao-aristoteles.htm

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832000000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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