PLATÃO – CALÍPOLIS

É possível imaginar ou conceber uma cidade e um governo ideal? Como deve ser uma sociedade ideal? Qual seria a melhor forma de governo?

Pois bem, para Platão, o nascimento da cidade acontece porque cada um de nós não basta a si mesmo, dessa maneira, todos os homens têm a necessidade de trabalharem em conjunto para conseguir sobreviver.

De acordo com Platão, o Estado, como síntese dos valores transcendentais das ideias, tem o papel de educar os cidadãos para o conhecimento. Assim, o Estado deve ser fundado sobre o valor supremo da justiça e do bem, contemplados lá no Mundo das Ideias. Para desenvolver tal teoria, Platão apresenta, na obra intitulada República, uma cidade imaginária chamada Calípolis, que significa Cidade Bela em grego. Essa cidade seria um modelo perfeito de administração política, social, educacional, e etc. Por isso, os indivíduos na Calípolis teriam uma educação igualitária, que ficaria a cargo do Estado, educando os cidadãos para o conhecimento e para a virtude.

Esse processo educacional deve ser complexo e duradouro. Durante os primeiros anos a educação seguiria os mesmos parâmetros para todos, no entanto, aos poucos e espontaneamente, os grupos começariam a definir-se, pois, diferentes, nem todos poderiam passar por todas as fases de formação.

As 3 classes desempenhariam funções sociais diferentes, voltadas para o bem da cidade, e seria classificada de acordo com a fase de estudos, cada fase recebendo um nome de metal. Vamos analisar aqui cada uma dessas etapas:

A primeira fase de estudos iria dos 0 aos 20 anos, e os indivíduos seriam chamados de Almas de Bronze. Nesse período eles teria a função de trabalhadores na sociedade, aprendendo algum ofício durante esse tempo. Por se deixarem levar mais pela parte concupiscível da alma, ou seja, seus desejos naturais, os trabalhadores deveriam desenvolver a virtude da temperança, para controlar os seus instintos. Agora, se aos 20 anos a pessoa não se sentir adaptada à função de trabalhador, ele pode partir para a segunda fase de estudos, que iria dos 20 aos 35 anos, período no qual os indivíduos teriam a função de guardas na sociedade, sendo chamados então de almas de prata. Por fazerem parte da segurança interna e externa da cidade, e por terem a parte da alma irascível como a mais aflorada, ou seja, os seus sentimentos é que falariam mais alto, a virtude a ser desenvolvida nesse tempo seria a virtude da coragem, para que eles possam ter discernimento e prudência para agir de forma mais correta. Por fim, caso o indivíduo tenha chegado aos 35 anos e ainda não tenha se adaptado, ele poderia então participar da terceira fase de estudos, após seus 35 anos, desempenhando seu papel como governante, pois, por ser uma alma de ouro, e por se guiar pela parte da alma racional, o indivíduo teria a virtude da sabedoria para poder governar com justiça. Lembrando que a justiça também deve estar em harmonia entre as várias classes.

Por isso, o governo ideal, de acordo com Platão, seria a Sofocracia, que quer dizer governo dos sábios em grego. Esse seria o ideal de Rei Filósofo proposto por Platão, pois é apenas se o político se tornar filósofo, ou o filósofo se tornar político, é que será possível construir a cidade autêntica, fundada sobre o valor supremo da justiça e do bem.

Para Platão a aristocracia, por exemplo, pode se corromper em timocracia, quando o culto da virtude é substituído pela forma guerreira; ou em oligarquia, quando prevalece o gosto pelas riquezas. Platão explica como essas formas degeneradas podem fazer surgir a democracia. A democracia não corresponde aos ideais platônicos porque para ele o povo é incapaz de possuir a ciência política, já que muitas vezes o povo acaba elegendo pessoas despreparadas para o cargo. Quando o poder pertence ao povo, é fácil prevalecer a demagogia, característica do político que manipula e engana o povo (etimologicamente, “o que conduz o povo”). Por fim, a democracia levaria fatalmente à tirania, a pior forma de governo, exercido pela força por um só homem e sem ter como objetivo o bem comum. O tirano é a antítese, o contrário do magistrado-filósofo.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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