PLATÃO – MÍMESIS

Para que a gente compreenda o conceito de mímesis segundo Platão e a sua definição de arte, devemos nos lembrar da teoria do mundo das ideias proposta pelo filósofo.

Para Platão existem dois mundos, o mundo sensível e o mundo das ideias. O mundo sensível é o mundo dos fenômenos, é esse mundo que percebemos nesse exato instante pelos nossos sentidos, é o mundo da mudança, do movimento, das aparências. O mundo sensível, portanto, é um mundo ilusório, pois não passa de sombras do mundo inteligível. Por isso, tudo o que existe no mundo sensível seria uma cópia do seu verdadeiro conceito, que existe no mundo das ideias. Já o mundo das ideias, ou mundo inteligível, é o mundo da permanência, das essências verdadeiras, das verdadeiras ideias de tudo aquilo que existe, existiu e existirá no mundo sensível. No mundo inteligível está o conhecimento verdadeiro acerca de tudo, que alcançamos por meio da reminiscência, quando a nossa alma recorda as ideias que conheceu no mundo inteligível, através da prática da reflexão filosófica.

Assim, podemos perceber que o mundo sensível é uma mímesis do mundo das ideias. Mímesis significa reprodução em grego, ou também podemos chamar de representação, cópia, imitação. Então, se o mundo sensível é uma representação, uma cópia do mundo das ideias, o que podemos dizer de uma obra de arte que imita-reproduz o mundo sensível? Platão irá nos dizer que a arte é uma cópia da cópia, uma imitação da imitação. Portanto, a arte nos afastará do conhecimento verdadeiro, pois nos distancia do mundo ideal, já que, se o ser humano já fica iludido contemplando as cópias que se manifestam no mundo sensível, mais iludido se tornará ao contemplar as obras de arte que imitam o mundo sensível, que já é imperfeito. Pode-se dizer que, segundo Platão, se o mundo sensível está a um grau da verdade, já que é uma cópia do mundo das ideias, a arte estaria então a dois graus da verdade, já que ela seria uma cópia da cópia, pois representa o mundo sensível.

Além disso, de acordo com Platão, a arte também nos afasta da noção do bem e do mal, ou seja, da ética, pois está ligada aos sentidos, pois, segundo o filósofo, só conseguiremos desenvolver as noções éticas caso a gente contemple os conceitos éticos universais que estão presentes no mundo das ideias, e não contemplando exemplos imperfeitos dos conceitos éticos que estão presentes nas obras de arte.

Desse modo, Platão exclui os artistas da sua cidade ideal chamada Calípolis, pois os artistas afastariam os indivíduos do conhecimento da verdade. Os únicos artistas que Platão aceita são os músicos, isso porque o filósofo não considera a música como uma arte, mas sim como uma espécie de harmonia divina, seguindo a trilha de Pitágoras.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

Deixe uma resposta