PLATÃO – MUNDO SENSÍVEL E MUNDO DAS IDEIAS

O filósofo Platão nasceu no ano de 428a.C., na Cidade-Estado de Atenas, que hoje é a capital da Grécia, e morreu em 348a.C. O seu nome verdadeiro era Aristocles, já que Platão era apenas o seu apelido, que quer dizer “ombros largos” em grego, algo que pode ter ligação com a sua aparência física.

Segundo a dialética desenvolvida pelo filósofo Platão, existem dois mundos, que apresentam graus diferentes acerca do conhecimento, o mundo sensível, que apresenta um grau mais inferior do conhecimento, e o mundo inteligível, que apresenta um grau mais superior acerca do conhecimento, este que também pode ser chamado de mundo das ideias.

mundo sensível é o mundo dos fenômenos, é este mundo percebido pelos nossos sentidos, é o mundo da mudança, do movimento, das aparências, por isso é o mundo da doxa, que quer dizer opinião em grego, e, como sabemos, as opiniões podem ser contraditórias. Assim, o mundo sensível é um mundo ilusório, pois não passa de sombras do mundo inteligível. Por isso, tudo o que existe no mundo sensível seria uma cópia do seu verdadeiro conceito, este que existe no mundo das ideias.

Por sua vez, o mundo das ideias, que também podemos chamar de mundo inteligível, é o mundo da permanência, das essências verdadeiras, das verdadeiras ideias de tudo aquilo que existe, existiu e existirá no mundo sensível. Este é o mundo da episteme, que quer dizer conhecimento em grego, pois seria no mundo inteligível é que estaria o conhecimento verdadeiro acerca de tudo, e no topo de todas essas ideias estaria a ideia do bem, que é a mais elevada em perfeição e a mais geral de todas.

Sabendo que as ideias são a única verdade, o mundo sensível só existe enquanto participa do mundo inteligível, pois no mundo dos fenômenos existem apenas sombras, cópias do mundo das ideias, e o mundo inteligível só pode ser alcançado através daquilo que Platão chama de dialética ascendente, que faz com que a alma se eleve das coisas mutáveis para as coisas imutáveis, e que cabe então à filosofia passar das cópias imperfeitas aos modelos perfeitos, através da teoria da reminiscência, abandonando as imagens pelas essências, as opiniões pelas ideias, as aparências pelas essências. Por isso, para se elevar do mundo sensível para o mundo inteligível, devemos nos lembrar daquilo que a nossa alma já contemplou no mundo das ideias. Portanto, para Platão, a nossa alma é imortal, ela sempre existiu no mundo das ideias, porém, quando nós reencarnamos em nosso corpo, acabamos nos esquecendo daquilo que contemplamos no mundo inteligível, por isso é que devemos praticar a vida contemplativa, a vida filosófica, para nos recordar do que a nossa alma já conheceu. Assim, para Platão, conhecer é relembrar, recordar, por isso ele utiliza o conceito de reminiscência.

Para ilustrar, tente imaginar as mais variadas canetas que você conheceu aqui no mundo sensível. Para Platão, todas as canetas que nós experimentamos aqui no mundo sensível, através dos nossos sentidos, só foram possíveis de serem conhecidos porque a nossa alma já contemplou o conceito universal de caneta que existe lá no mundo das ideias, porque é no mundo inteligível que existe uma ideia, um conceito universal acerca da caneta, e, por mais que as canetas aqui do mundo sensível sejam diferentes umas das outras, ainda assim saberíamos que elas são canetas porque nós já relembramos qual era o conceito de caneta lá no mundo das ideias, e que podemos também diferenciar uma caneta de um lápis ou de um giz de cera, por exemplo.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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