POPPER – FALSEABILIDADE

O filósofo austríaco Karl Popper, que viveu no século XX, era inicialmente próximo ao Círculo de Viena, estes que eram chamados também de neopositivistas. Porém, Popper se distanciou rapidamente do grupo ao perceber que o princípio da verificabilidade, proposto pelos neopositivistas, não apresentava um suporte seguro para o desenvolvimento da ciência, porque a indução, método proposto pelos neopositivista, na qual o cientista partiria de observações e verificações particulares para a construção de uma teoria geral, apresentaria sempre diversas dificuldades. Isso porque, pra Popper, não existe observação pura, afinal, estas observações realizadas pelos cientistas já estariam ancoradas por uma teoria anterior, em outras palavras, toda observação, que é realizada no meio científico, já supõe uma atividade na qual se seleciona previamente o que? Os fenômenos que serão investigados. Por exemplo, se vamos investigar alguma espécie de ser vivo, já partimos de certas observações já realizadas na biologia, ou, se vamos estudar algum tipo de elemento químico, já partimos dos estudos que já fizemos na área da química.

Além disso, Popper apresenta a ideia de que o princípio da verificabilidade dos neopostivistas não se sustenta, afinal, não podemos verificar uma teoria de forma universal, pois nunca chegaremos a uma verdade científica absoluta, afinal, a ciência está sempre em processo de desenvolvimento, porque nós não conseguimos compreender uma teoria em sua totalidade, pois ainda temos muito o que descobrir sobre o universo. É por isso que Popper propõe algo que, de início, parece algo estranho, mas como nós iremos analisar aqui, não vai parecer tão estranho assim. Popper propõe o critério da Falseabilidade.

De acordo com o critério da Falseabilidade, se não podemos verificar de forma definitiva e absoluta a validade de uma teoria, podemos demonstrar que ela é falsa de forma definitiva. Por exemplo, vamos pegar a hipótese “todos os cisnes são brancos”, essa é uma hipótese que pode ser falseada, pois basta um cisne de outra cor, por exemplo, um cisne negro, para falsear essa teoria. Os cientistas então, ao invés de ficar tentando demonstrar a verdade das suas teorias, eles na verdade devem submeter elas a testes e experimentos que podem tentar falsear essa hipótese ou teoria, quer dizer, demonstrar que essa teoria, ou hipótese, está errada. Portanto, nós só poderíamos determinar como sendo científicas apenas as teorias que podem ser mostradas falsas.

Desse modo, realizando o critério da falseabilidade, a gente perceberia que, quando uma teoria resistisse à refutação, através das experiências que iriamos realizar, dizemos que esta teoria estaria corroborada, ou seja, que essa teoria estaria comprovada, mas somente por enquanto, pois uma teoria científica apenas pode se mostrar como verdadeira enquanto não existir nenhuma observação, teste ou experiência que mostre o contrário, ou seja, por exemplo, a teoria da relatividade do Einstein está presente até hoje no meio científico porque até hoje não foram apresentados testes ou experiências que refutassem essa teoria, por isso a teoria da relatividade se mantém firme no meio científico, mas isso não quer dizer que ela vai ser uma teoria absoluta que valerá pra sempre, pois pode surgir um momento no futuro na qual alguns cientistas podem encontrar falhas nessa teoria, através de algum tipo de teste ou experiência ou cálculo que ainda não foi realizado mas que poderá talvez ser realizada no futuro, é por isso que os cientistas continuam realizando testes para saber até que ponto a teoria da relatividade pode se mostrar certa ou não.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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