REVOLUÇÃO CIENTÍFICA – COPÉRNICO E GALILEU

A Revolução científica começa basicamente com a obra “A revolução das órbitas celestes”, do cientista Nicolau Copérnico, em 1543, e termina mais ou menos em 1687, com a obra “Princípios Matemáticos da filosofia natural”, do cientista Issac Newton. Cientistas como, por exemplo, Galileu Galilei e Johannes Kepler, colaboraram para estabelecer um novo modo de fazer ciência que teve profunda influência na forma de filosofar. O ponto chave de compreensão do período da revolução científica é a luta dos pensadores pelo direito de investigar a natureza e descobrir suas leis, que, segundo eles, são naturais. Isso se deve ao fato de que, no período da Idade Média, a Igreja Católica comandava a sociedade em vários aspectos, influenciando na economia, na política, na cultura, na ciência e na filosofia. Portanto, somente eram aceitas as teorias científicas e filosóficas que estivessem de acordo com as escritas sagradas e preceitos religiosos do cristianismo, e todas as teorias que fossem contra os ideais da Igreja eram considerados heresia e eram combatidos pelos representantes religiosos. Portanto, alguns pensadores desse período acabaram indo para a fogueira por conta de seus ideais, como é o caso de Giordano Bruno, e outros tiveram que negar a verdade para continuarem vivos, como foram os casos de Copérnico e Galileu Galilei.

Copérnico, que era matemático e astrônomo, irá propor uma teoria científica que, atualmente, é considerado um conteúdo básico ensinado nas escolas, mas que, em sua época, foi considerado revolucionário e perigoso: ele propôs o Heliocentrismo, teoria astronômica que apresenta o Sol no centro do nosso sistema planetário, com os planetas girando ao seu redor. Copérnico revisou uma antiga obra chamada O Almagesto, do cientista Ptolomeu, que apresentava a Terra imóvel no centro do universo, com o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas girando ao redor da Terra, teoria esta chamada Geocentrismo. Para Copérnico, os cálculos de Ptolomeu estavam errados e que a única hipótese aceitável para explicar esses erros era a de que, na verdade, a Terra é que girava em torno do Sol, ou seja, o Heliocentrismo, teoria esta que já foi proposta por Aristarco de Samos, um cientista grego que viveu há mais ou menos 200 anos antes de Cristo.

Porém, Copérnico lançou apenas os cálculos científicos de sua teoria, já que foi Galileu Galilei, matemático, físico e filósofo, quem decidiu fazer experimentos para verificar se a hipótese era verdadeira, o que foi comprovado pelo cientista Galileu, que ficou encantado com a proposta de Copérnico e passou a difundi-la, tanto em palavras, como em experiências científicas. Esses experimentos só foram possíveis ao seu utilizar a luneta, recente invenção da época, e Galileu, ao estudar os planetas e a Lua, percebe que eles não têm a forma regular e perfeita que a teoria oficial defendida pela Igreja Católica afirmava. Por isso, Galileu começa a desconfiar de que todo o edifício da Astronomia e da Física construído com base em Aristóteles e Ptolomeu estava com os fundamentos apodrecidos, ou seja, estavam equivocados. Porém, tal afirmação foi fortemente repreendida pela Igreja Católica, pois para a Instituição Cristã, era muito mais conveniente tomar como verdadeira a teoria do Geocentrismo, pois tal teoria estaria de acordo com as escrituras sagradas, enquanto que a teoria do Heliocentrismo tirava toda a importância que a Terra tinha, ao não se tornar mais o centro do universo.

Por isso, Galileu vai propor que a ciência precisa se separar de intromissões religiosas e se separar também da filosofia. Este é o nascimento da Ciência Moderna. Para o cientista, o Universo deveria ser estudado sem ser visto como sagrado, tendo a Matemática como a única ciência que continha fundamentos perfeitos e inabaláveis. Neste caso, Galileu propõe critérios científicos ao invés de teorias filosóficas e religiosas. Galileu também acreditava que a linguagem bíblica não era conveniente para explicar fenômenos científicos porque não oferecia bases matemáticas e experimentais, por conta de tudo isso, Galileu foi preso e obrigado a se retratar no tribunal da Inquisição, tendo que negar a sua teoria, ou seja, negar a verdade, para não morrer e não contrariar os poderosos da época, criando a lenda de que, depois de ter se pronunciado, Galileu teria dito bem baixinho, “no entanto ela se move”, no caso, ele estava falando do movimento da Terra, obviamente.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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