REVOLUÇÃO CIENTÍFICA

Um dos objetivos da Filosofia da Ciência é sugerir contribuições que a filosofia pode apresentar para o campo da ciência, mais especificamente aquilo que chamamos de ciência moderna, que teve início com a chamada Revolução Científica, um período da história europeia.

A Revolução Científica teve início com a obra “A Revolução das Órbitas Celetes, do cientista Nicolau Copérnico, em 1543, e chegou ao seu ápice com a obra “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, do cientista Issac Newton, em 1687. Vários cientistas dessa época procuraram estabelecer um novo modo de fazer ciência, que teve muita influência na filosofia.

Antes desse período, a ciência e a filosofia eram controladas pela Igreja Católica, no período que chamamos de Idade Média. No período medieval a ciência e a filosofia estavam subordinadas aos ideais do cristianismo, por isso, para se desenvolver uma teoria científica ou filosófica deveria-se ter o respaldo da Igreja, pois se a sua teoria não estivesse de acordo com os preceitos religiosos cristãos, você seria perseguido por essas ideias. Portanto, na Revolução Científica, houve uma luta dos pensadores pelo direito de investigar a natureza e suas leis, que são naturais, não sobrenaturais.

Nicolau Copérnico (1473-1543) é um dos cientistas que mais se destacaram nesse período, ao desenvolver a teoria do Heliocentrismo, que apresenta o Sol no centro do nosso sistema planetário. Ao revisar a obra “O Almagesto”, do cientista grego Ptolomeu, que desenvolveu a teoria do Geocentrismo, na qual apresentava a Terra imóvel no centro do universo, Copérnico percebeu que esses cálculos estavam errados, e o único modo de corrigir tais erros era colocar a Terra girando ao redor do Sol, e não ao contrário.

Porém, Copérnico lançou apenas os cálculos científicos para a discussão, pois foi Galileu Galilei (1564-1642), alguns anos depois da morte de Copérnico, foi quem conseguiu verificar e comprovar a veracidade dessa hipótese, pois foi na época de Galileu que ocorreu a invenção da luneta, para a observação direta do céu. Galileu havia ficado encantado com a proposta de Copérnico, e passou a difundir sua teoria tanto em palavras como em experiências científicas.

Os cientistas da Revolução Científica foram muito perseguidos em sua época, pois suas teorias batiam de frente com as teorias que eram aceitas pela Igreja Católica, afinal, quando se coloca a Terra no centro do universo, começa-se a dar um lugar especial para o nosso planeta, ao estar de acordo com os preceitos religiosos de criação divina, pois nas escrituras sagradas estaria escrito que Deus criou os céus e a Terra, e na Terra criou o homem à sua imagem e semelhança. Por isso, nada mais conveniente do que colocar a Terra no centro, pois assim estaria tudo de acordo com o que as escrituras sagradas estariam apresentando. Portanto, quando os cientistas começaram a colocar em cheque as ideias difundidas pela Igreja, eles foram perseguidos, alguns acabaram sendo mortos por defenderem sua ideia, como é o clássico caso do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), que foi queimado na fogueira por pensar na ideia de um universo infinito, e outros pensadores tiveram que negar a sua teoria para não terem o seu mesmo fim na fogueira, como foram os casos dos cientistas Copérnico e Galilei.

Galileu Galilei propõe que a ciência devesse se separar das intromissões religiosas e da filosofia medieval, surgindo assim a ciência moderna. Afinal, religião, filosofia e ciência trabalham conceitos diferenciados, pois cada uma possui seus objetos específicos. A religião possui como objeto de estudo os conceitos sobrenaturais (ideia de Deus, da alma), através da crença, da fé; já a filosofia estuda os conceitos abstratos (conhecimento, verdade, liberdade, justiça), por meio da razão, da racionalidade; e, por fim, a ciência se encarrega de estudar os conceitos físicos (química, física, biologia), utilizando-se das experiências, testes e cálculos com base na realidade. Por isso é que Galileu propõe critérios científicos para se estudar os fenômenos naturais, e isso foi algo revolucionário para a época.

Autor: João Paulo Rodrigues

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