SARTRE – EXISTENCIALISMO

Sartre é um filósofo que faz parte de um movimento filosófico chamado existencialismo, que se caracteriza pela inclusão da realidade concreta do indivíduo, como a sua mundanidade, a angústia e a morte, no centro da especulação filosófica. Por isso, uma das perguntas que ele irá se propor a refletir é: Qual o sentido do existir? Afinal, para Sartre, quando nos fazemos essa pergunta, nos damos conta de que estamos sozinhos no mundo, e que não há nada que explique a existência e qual é o seu sentido. Além disso, o homem analisa o mundo material e se dá conta de que tudo é contingente, ou seja, tudo está em constante mudança, portanto, não há nada eterno na qual podemos nos apoiar.

Uma das frases mais marcantes de Sartre é: “A existência precede a essência”, pois, para o filósofo, primeiro existimos no mundo e só depois construímos nossa essência. Em outras palavras, nós nascemos como se fossemos uma folha em branco, e só vamos construindo aquilo que nós somos através das experiências e vivências que temos no decorrer de nossas vidas, moldando aquilo que somos.

Agora, uma das frases mais conhecidas de Sartre é “O homem está condenado a ser livre”, pois, ao ser diferente dos demais objetos, que são chamados de ser-em-si, os seres humanos, chamados de ser-para-si, possuem uma dádiva e uma maldição: a condição de sermos livres. Afinal, podemos moldar nossa existência, mas isso é uma luta diária que nos esgota, pois as possibilidades de acerto e de erro são tantas que ele fica atormentado diante delas. Temos de, diariamente, escolher entre várias opções de ação, e nada nos garante o acerto. É desse modo que surge a angústia, pois nós precisamos escolher tudo a todo momento e ficamos angustiados diante das escolhas que fazemos, já que nós ficamos atormentados por conta da incerteza daquilo que escolhemos e ficamos nos questionando sobre como seria caso nós tivéssemos escolhido as outras opções.

Portanto, segundo Sartre, cabe a si mesmo projetar sua existência e fazê-la ter um sentido. E assim nasce a grande responsabilidade diante das infinitas possibilidades que se apresentam e cabe a cada um de nós escolher como fará sua existência ser melhor, afinal, nossas escolhas não influenciam apenas a nossa própria vida, pois ninguém vive de forma isolada, já que vivemos em sociedade, por isso, somos responsáveis também sobre como as nossas ações podem influenciar todas as outras pessoas.

Por viver na angústia e perceber a responsabilidade de suas escolhas, muitas pessoas acabam se aliando à má-fé, que é a atitude característica de quem finge escolher, sem na verdade escolher. Ela vive em um autoengano, ao achar que o seu destino já está traçado e acaba mentindo para si mesmo, pois aceita tudo sem se questionar. Na má-fé, a pessoa está diante apenas de si mesmo e evita fazer escolhas para não se responsabilizar.

Assim, devemos aceitar a nossa própria liberdade e a liberdade dos outros, assim como devemos aprender a nos responsabilizar pelas nossas escolhas, pois, mesmo que tal responsabilidade nos traga uma angústia, ainda assim é somente desse modo que viveremos uma vida autêntica. Além disso, devemos levar em consideração também uma outra frase do filósofo Sartre, a saber, “O inferno são os outros”, que traz a reflexão de que o outro é essencial para o conhecimento acerca de si mesmo, pois é através do relacionamento com o outro que construímos a nossa própria identidade, mesmo sabendo que tal processo não é pacifico e nem harmonioso. Devemos com isso perceber que nossa liberdade nos traz também a responsabilidade por nossas ações, e que os outros não são culpados pelas nossas escolhas.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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