SÓCRATES E AS LEIS

Afinal, o que são as leis? Elas são realmente importantes para a nossa vida? Conseguiríamos viver sem as leis? E o que legitimam as leis que nós seguimos?

No livro de Platão chamado Críton, Sócrates defende uma cidadania que é baseada na razão e na verdade. Nesse livro ocorre um diálogo entre Sócrates e o seu amigo Críton, logo após a condenação de Sócrates à morte, que ocorre no livro Apologia de Sócrates, também do filósofo Platão, já que só conhecemos a filosofia de Sócrates através dos escritos de Platão. Enquanto Sócrates estava em sua cela esperando a sua sentença de morte, ele recebe a visita do seu amigo Críton, que diz para Sócrates que subornou o guarda e pediu para que o filósofo fugisse de Atenas para não ser condenado à morte. Porém, Sócrates obedece à lei e fica para morrer. Seu último diálogo traz a ideia de defesa ao respeito da decisão da maioria.

Sócrates, mesmo tendo a oportunidade de desrespeitar as leis de sua cidade, decide permanecer na cela. Por coerência, o filósofo morre para obedecer às leis com as quais ele mesmo havia concordado durante toda a sua vida em Atenas. Para desenvolver tal ideia, Sócrates chega até mesmo a personificar as leis em uma espécie de deusa, que repreende Sócrates caso este quisesse fugir de Atenas e abandonar as leis que ele seguiu durante toda a sua vida só porque essas mesmas leis o condenaram à morte. Assim, Sócrates aceita a amarga decisão de julgamento injusto. Ao ouvir de Críton sobre a ideia de fugir de Atenas, Sócrates afirma para seu amigo que o homem justo sempre permanece na cidade.

O interessante é que, enquanto que no livro Apologia de Sócrates narra-se um julgamento na corte ateniense, com centenas de pessoas presentes e o filósofo defendendo a si mesmo das acusações feitas pela cidade, em Críton, por sua vez, Sócrates argumenta apenas com um personagem, que mostra o filósofo aceitando as leis de Atenas. O pensador afirma que nenhum Estado funciona sem regras, pois desobedecê-las, para Sócrates, seria o mesmo que destruir Atenas. Afinal, se com as leias já é difícil viver em sociedade, imagine se não houvessem as leis, será que existiria até mesmo uma sociedade?

Um dos argumentos mais fortes e difíceis feito por Sócrates em todos os textos de Platão é esse na qual ele decide aceitar a sua condenação à morte, em que o público vence definitivamente o privado. Com esta última derrota e para não praticar uma desobediência civil, Sócrates aceita seu julgamento, toma cicuta e morre.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

PLATÃO. Apologia de Sócrates e Críton. Trad. Alexandre Romero. São Paulo: Hunter Books, 2013.

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