SÓCRATES – O BELO EM HÍPIAS MAIOR

Hípias Maior é um livro de Platão que apresenta um diálogo entre o sofista Hípias e o filósofo Sócrates e tem como objetivo a investigação sobre a natureza do Belo. Nesse diálogo, Sócrates pretende, por meio do método dialético, definir o Belo em si. O sofista Hípias, por outro lado, tenta estabelecer o que é o belo pelo particular, fazendo com que as questões sobre o Belo entrem em um relativismo, pois, se para os sofistas o conhecimento é relativo, o que é o belo também será relativo. A partir disso, ocorre uma “luta” dialógica entre Sócrates e Hípias em torno da questão do Belo.

A questão principal é apresentada quando Hípias pergunta a Sócrates: “Mas como é que tu, Sócrates, distingues o que é belo do que é feio? Olha lá, saberás tu dizer-me o que é o belo?” Sócrates tenta definir o problema da beleza rebatendo a mesma pergunta para o sofista Hípias, e a primeira definição apontada por Hípias é de que o belo é uma bela mulher. No entanto, Sócrates rejeita a definição relativa de Hípias, pois para ele a questão do belo não pode ser definida de modo particular, pois, por exemplo, uma bela mulher é feia perante uma deusa. Uma segunda definição apresentada por Hípias é a de que o belo é o ouro. Mas novamente Sócrates refuta, dizendo que a estátua da deusa de Atenas que foi esculpida por Fídias, portanto bela, é feita de marfim.

Depois de todas as rejeições das definições apontadas por Hípias, Sócrates começa a apresentar a sua definição do belo. O Belo, para Sócrates é aquilo que tem dýnamis, que significa potencialidade em grego. Percebe-se então que o belo, segundo Sócrates, se relaciona ao que é ético, pois é só quando a dýnamis é usada para o bem que se pode dizer que há o Belo, logo o feio é a falta ou mal uso de dýnamis.

Ao perceber as insuficiências do conceito de belo apresentado por Hípias, Sócrates define o Belo como aquilo que provoca prazer pelos sentidos. Ou seja, o Belo é aquilo que é atravessado pelos sentidos, em especial, pela visão e audição. Portanto, se conhece o que é Belo pelos sentidos. E, eles existem porque existem a música, a arte plástica, a arquitetura, etc. Porém, no final do diálogo de Hípias Maior o leitor é surpreendido e a questão não se resolve, pois nas palavras de Sócrates “o que é belo é difícil”.

Autor: João Paulo Rodrigues

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