THOMAS KUHN – PARADIGMA

O filósofo Thomas Kuhn desenvolveu uma nova noção de paradigma para a ciência, no seu livro chamado A Estrutura das Revoluções Científicas. Paradigma pessoal significa um exemplo ou modelo de algo, ou seja, um padrão a ser seguido. No caso das ciências, seria uma teoria científica padrão que todos os cientistas se utilizam para desenvolver as suas pesquisas. Portanto, para o filósofo, o paradigma é a visão de mundo que os cientistas assumem, levantando problemas e apresentando soluções exemplares para uma pesquisa tomando como padrão algum modelo científico. Desse modo, a ciência somente progride pela tradição intelectual de seu próprio tempo. Em outras palavras, podemos dizer que a ciência se desenvolve tendo por base o modelo que já foi adotado por consenso pelos cientistas.
O filósofo Thomas Kuhn defendeu a ideia de que as novas teorias científicas surgem através daquilo que ele chamou de “revoluções científicas”, ou seja, a transição entre uma teoria antiga que foi refutada e uma nova teoria que foi corroborada, aceita como verdadeira, ocorre quando uma teoria entra em crise, surgindo assim a necessidade de um novo paradigma científico que forneça instrumentos e cálculos mais eficazes para formular e resolver os novos problemas que surgiram.
Para desenvolver essa ideia, Kuhn apresenta três momentos distintos do desenvolvimento de um paradigma científico, começando pelo seu período pré-paradigmático, indo em direção àquilo que ele chamou de ciência normal e chegando finalmente ao momento de crise, momento este em que determinada teoria científica encontra suas contradições e é alterada por uma teoria científica mais recente e mais coerente com a realidade. Vamos explicar melhor cada um desses períodos. No primeiro momento, a saber, no período pré-paradigmático ou chamado também de período imaturo, os problemas e questionamentos que se originaram no cotidiano começam a trazer a necessidade de explicações que ainda não apresentaram um consenso, ou seja, nesse momento ocorrem observações na realidade que ainda não foram muito bem definidas, e que portanto desenvolvem uma curiosidade no cientista, que ainda não conseguiu definir muito bem sobre o que é ou o que causa aquele fenômeno que ele acabou de observar. Porém, depois de um certo período de desenvolvimento das observações, através de cálculos e experimentos realizados pelos cientistas, a teoria proposta se torna uma “ciência normal”, ou seja, a teoria científica torna-se um paradigma, que é o período na qual se encontra um consenso alcançado pelos cientistas e o trabalho científico na área passa a se desenvolver com base em tal paradigma adotado, dirigindo então as pesquisas à resolução dos problemas que se apresentam e acumulando assim as descobertas que são feitas tendo por base a teoria científica já desenvolvida neste meio, aceitando sem questionamentos a teoria científica proposta. Porém, em um determinado momento esta teoria científica começa a ser questionada, entrando assim no terceiro momento, chamado de momento de crise, porque agora a teoria científica paradigmática já não consegue resolver uma série de anomalias acumuladas, apresentando contradições frente a novas descobertas realizadas, até o momento em que as novas pesquisas desenvolvidas nessa área levam a alguma revolução científica, alterando assim o paradigma da antiga teoria por um novo paradigma, voltando à fase da ciência normal e assim desenvolvendo uma nova “ciência normal paradigmática”.
Um exemplo científico histórico que podemos citar para exemplificar esses três momentos do desenvolvimento de uma ciência é a astronomia, já que no início os povos antigos observavam o céu, mas não o compreendiam muito bem, este é o momento pré-paradigmático. Depois de um tempo, alguns cientistas antigos começaram a desenvolver cálculos acerca do movimento dos astros, chegando então ao desenvolvimento do paradigma desenvolvido por Ptolomeu, a saber, o Geocentrismo, que apresentava a Terra no centro do universo e tendo todos os outros astros girando ao seu redor. O geocentrismo foi aceito como ciência normal durante muito tempo, porém, depois de mais de mil anos, Nicolau Copérnico e Galileu Galilei perceberam erros e contradições no modelo geocêntrico de Ptolomeu, colocando o modelo ptolomaico em crise e propondo então uma nova teoria científica, o Heliocentrismo, que apresenta o Sol no centro do nosso sistema planetário, demonstrando, através de novos cálculos e experiências, que o Heliocentrismo se apresenta como uma teoria científica que está mais de acordo com a realidade, tornando agora o modelo heliocêntrico a nova ciência normal. E quem nos garante que no futuro o modelo heliocêntrico também não seja posto em cheque? Através de observações e cálculos que ainda não foram descobertos? Esta é uma das características mais fascinantes da ciência, a ideia de que nenhuma teoria científica é absoluta e valerá para sempre, pois, para que a ciência possa se desenvolver, o cientista deve partir do fato de que ele não sabe tudo, e que, portanto, ele deve estar sempre aberto às novas ideias, desde que sejam apresentadas de forma coerente, lógica e condizente com a realidade.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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