TOMÁS DE AQUINO – ESCOLÁSTICA

No segundo período histórico da Idade Média, chamado de Baixa Idade Média, que durou mais ou menos entre os séculos IX e XIV, vigorou o período filosófico chamado de Escolástica. Esse período leva esse nome porque foram criadas inúmeras universidades na Europa durante esse tempo, daí então que do termo Escola foi criado o termo Escolástica. Tais universidades se tornaram focos de desenvolvimento intelectual. Tomás de Aquino foi o seu principal representante, apresentando uma nova expressão da filosofia cristã. Na escolástica persistiu a ideia da aliança entre razão e fé, na qual a filosofia estava subordinada à crença cristã.

Do século XI até o XIV, houveram várias discussões sobre a questão dos universais. Universal é entendido aqui como o conceito, a ideia, a essência comum das coisas. Por exemplo, os cachorros existem, mas a espécie canina e o gênero animal teriam existência real? Seriam realidades, ideias ou apenas palavras?

Alguns grupos de filósofos irão tentar apresentar algumas soluções para o problema dos universais, na qual destacam-se o realismo, o realismo moderado, o nominalismo, e o conceitualismo. Vamos abordar aqui cada uma dessas definições.

Para os realistas, por exemplo o filósofo Anselmo, o universal tem realidade objetiva, ou seja, existem por si mesmos, por isso o universal é chamado por eles de res, que significa “coisa” em latim, e as coisas existem de forma independente do ser humano. Essa proposição tem influências da teoria das ideias de Platão.

Já para o realismo moderado, representado no século XIII por Tomás de Aquino, os universais existem apenas formalmente no espírito, mas tem fundamento na realidade. Por conta da influência da filosofia aristotélica, o realismo moderado aponta então que o conhecimento acerca dos universais está presente na mente humana, mas é necessária a experiência com a realidade para formularmos o nosso conhecimento acerca do universal.

Para os nominalistas, como Roscelino, universal é apenas o que é expresso em um nome, ou seja, podemos dizer que os universais são apenas palavras, sem nenhuma realidade específica correspondente. Afinal, todo o nosso conhecimento é expresso em signos, em linguagem, e nada pode ser conhecido sem que seja traduzido em linguagem.

O conceitualismo, por sua vez, tem uma posição intermediária entre o realismo e o nominalismo. Teve maior destaque com o filósofo Pedro Abelardo, que defendeu que os universais são conceitos, entidades mentais que existem só no espírito, ou seja, o conhecimento acerca dos universais se encerra na conceituação que o ser humano elabora de tudo o que existe na realidade, criando a noção de universais por meio da linguagem.

No início da Idade Média, os filósofos cristãos sofreram influência do pensamento platônico e neoplatônico, pois as obras de Aristóteles não eram muito conhecidas, e as primeiras traduções dos árabes foram rejeitadas pois continham interpretações consideradas perigosas para o cristianismo. Porém, Tomás de Aquino, que vivem no século XIII, teve contato com o pensamento aristotélico através do árabe Averróis. Seu interesse o aproximou de recentes traduções feitas diretamente do grego, investigando assim mais profundamente a filosofia de Aristóteles, adaptando-o à fé cristã. Seu principal livro se chama Suma Teológica, que apresenta as principais ideias da Escolástica, e na qual também se desenvolveu a chamada filosofia aristotélico-tomista.

Tomás de Aquino valorizava a fé como instrumento de conhecimento, mas não desconsiderou a importância do conhecimento natural desenvolvido por Aristóteles, e, semelhante a esse, Tomás de Aquino reconheceu a participação dos sentidos e do intelecto. Portanto, para o filósofo, o conhecimento começa pelo contato com as coisas concretas, físicas, materiais, passa pelos sentidos da imaginação e memória até a compreensão de formas abstratas. Assim, o conhecimento processa um salto qualitativo que começa pela apreensão da imagem, que é concreta e particular, por meio dos sentidos, até a elaboração da ideia, que é abstrata e universal, por exemplo, usamos o nosso sentido da visão pra vermos uma caneta, assim, começamos a arquivar as semelhanças das várias canetas que observamos no mundo real pra assim desenvolvermos uma ideia universal do que é uma caneta, desse modo, mesmo que hoje a gente veja uma caneta diferente de todas a que vimos anteriormente, ainda assim saberemos que aquilo é uma caneta, pois já desenvolvemos uma ideia universal de caneta. Portanto, podemos perceber que o filósofo Tomás de Aquino, por ser aristotélico, não abre espaço para que se ultrapasse a barreira do real, na busca pelo conhecimento, por meio de iluminações e inatismos, como ocorriam com os filósofos da patrística através das ideias de Platão e do neoplatonismo.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

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